O despacho aduaneiro de exportação 

A operação de exportação envolve diversas etapas e documentos que, quando não são corretamente planejados, podem gerar atrasos, custos extras e até penalidades. Pensando em apresentar uma visão prática de quem vive o despacho aduaneiro no dia a dia, trazendo pontos que só um despachante costuma enxergar, montamos um checklist consultivo com alguns alertas importantes. 

Aqui, falamos sobre o que a prática ensina (e quase ninguém avisa). 

Este checklist não substitui a legislação, mas reflete os pontos que, na rotina do despacho aduaneiro, mais geram retrabalho, atrasos e custos evitáveis nas exportações. 

1.Antes de falar em preço: confirme a viabilidade 

Perguntas-chave que muitos ignoram e que levam ao erro mais comum: fechar uma venda internacional antes de validar as exigências da operação. 

  • O produto precisa de anuência prévia no Brasil ou no país de destino? 
  • Existe exigência sanitária, técnica ou de rotulagem no exterior? 
  • A NCM utilizada internamente é a mesma aceita pelo país importador? 

2. NCM: não é só código, é estratégia  

A divergência entre a Invoice, a DU-E e a descrição comercial é um dos principais motivos de exigência. Pequenas variações na descrição podem gerar questionamentos na aduana. Por isso, a classificação fiscal impacta diretamente: 

  • Exigências documentais 
  • Benefícios fiscais 
  • Estatísticas e riscos de parametrização 

3. Incoterm mal escolhido: custo invisível 

Na prática, muitos exportadores assumem custos no destino sem perceber, por uma escolha inadequada do Incoterm. Antes de defini-lo, sempre confirme: 

  • Quem contrata o frete e o seguro? 
  • Quem responde por atrasos no porto ou aeroporto? 
  • O Incoterm é compatível com o modal escolhido? 

4. Documentos: menos modelo e mais coerência 

Não basta emitir documentos, eles precisam conversar entre si. O ponto crítico é que ajustes após o registro da DU-E costumam gerar atrasos e custos extras. 

Atenção especial para: 

  • Invoice x Packing List x DU-E 
  • Peso, volumes, valores e descrição idênticos 
  • Idioma e moeda corretos conforme exigência do importador 

5. DU-E não é só registro, é leitura de risco 

Informações inconsistentes aumentam o risco de canal. A experiência prática mostra que uma DU-E bem estruturada reduz intervenções e liberações demoradas. O momento do registro impacta diretamente: 

  • Parametrização 
  • Cumprimento de prazos logísticos 

6. Pós-embarque: onde muitos esquecem de olhar 

Exportadores maduros utilizam o pós-embarque como etapa de aprendizado, e não apenas como o encerramento da operação. É nesse momento que podem atuar em: 

  • Conferência final dos documentos emitidos 
  • Arquivamento adequado para auditorias e fiscalizações 
  • Análise da operação para identificação de ajustes e melhorias futuras 

Exportar não é apenas cumprir etapas, mas tomar decisões corretas no momento certo. A atuação do despachante aduaneiro vai além do registro: envolve análise, prevenção de riscos e orientação estratégica. É exatamente nesses pontos críticos da operação que nossa equipe atua. 

Por Érica Ambrósio 

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